Além disso, e com todo o respeito, acho que N. Sra. gosta do mês de outubro e do número 7. Se não, vejamos: a sua primeira aparição (pelo menos no eixo Brasil-Portugal) foi na segunda quinzena de outubro de 1717,  nas águas do Rio Paraíba, em São Paulo (donde N.Sra. Aparecida). E, a última, em 13 de outubro de 1917, na Cova da Iria, em Portugal. Aliás foi a última aparição de Maria para os humanos, segundo o Vaticano.

A multidão na Cova da Iria – foto rara publicada no dia seguinte por um jornal de Lisboa

Detalhe: devido ao fato dos pastorinhos terem revelado à vizinhança e comentado “com toda gente” que a Virgem Maria iria fazer um milagre neste dia, (eles a tinha visto nesse ano, mensalmente, desde o 13 de maio) a notícia se espalhou de boca em boca e estavam presentes na Cova da Iria, desde o amanhecer desse 17, cerca de 50 mil pessoas, segundo os relatos da época. E chovia torrencialmente, mas a multidão aguardava com paciência e fé junto às três crianças (Lúcia, Francisco e Jacinta), nos terrenos enlameados da serra. O resto nós sabemos: Ela surgiu, disse ser a N. Sra, do Rosário, pediu que orassem o terço, revelou três segredos e pediu que construíssem uma capela em sua homenagem.

Parou de chover e viu-se o sol.

Hoje, Ela é cultuada por mais de 270 milhões de fiéis que compõem a Comunidade de Povos de Língua Portuguesa e tornou-se uma embaixadora informal da lusofonia. Mas este ano, pelas razões que todos conhecem, o Santuário em Ourém (Santarém) esteve vazio neste 13 de maio, se comparado às cerca de 300 mil pessoa que participam todos os anos. 

Para finalizar, uma curiosidade: todos sabem que é imensa a sua legião de devotos no Brasil, mas poucos sabem que a primeira igreja inteiramente dedicada a ela em nosso país foi construída em Brasília, em 1958, por D. Sarah Kubistcheck, em agradecimento à promessa feita pela cura de sua filha Márcia que sofria há muito de severas dores na coluna. O projeto muito bonito do Oscar Niemayer (ateu convicto) se inspirou no chapéu das freiras e é conhecido como igrejinha da 307 Sul pelos brasilienses.

Portugal: graças ao louvável esforço e sacrifício dos últimos governos portugueses e da sociedade civil na direção da uma significativa recuperação econômica, Portugal é, hoje, referência em inovação tecnológica, conectividade, infraestrutura rodoviária, agricultura de ponta, robótica e inteligência artificial. E qualidade de vida urbana. Com destaque, ainda, para a responsabilidade ambiental, cuja joia da coroa é a expansão dos “moinhos” de energia eólica e o reposicionamento da indústria vinícola, que refez em todas as grandes regiões produtoras o estilo de plantio, colheita e elaboração. O vinho branco português é atualmente a grande novidade no mapa da enocultura internacional. E a gastronomia em Lisboa — e Cascais (*) — e no Porto se reiventa pelas mãos de chefs autorais

Como remate positivo, vale registro que as caravelas que ajudaram Portugal a dar novos mundos ao mundo, segunda a feliz expressão de um pensador português, foram agora “promovidas” às fibras óticas da internet — a caravela do século XXI — que (nos) permitem conectar, em tempo real, esse contingente que habita nove países em cinco continentes e forma a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Porque como disse recentemente um escritor lusitano, “se os Lusíadas nos conduz por mar até a Índia, nos conduz pela história e pela língua até o DNA de nós mesmos”.

(*) Quando eu morei em Lisboa, Cascais era uma extensão da cidade, como Carcavelos, Estoril, etc. Hoje separou-se orgulhosamente e meus amigos “cascaínos (???)” ficam zangados quando eu confundo. Como os recifenses e os de Olinda: uma coisa é uma coisa, a outra é a outra…

Por Reinaldo Paes Barreto