Não são só os brasileiros que estão aterrissando em Portugal: Google, Uber, Euronext, a alemã Zalando e a dinamarquesa Vestas são algumas das grandes empresas multinacionais que decidiram se instalar no país nos últimos meses. Além disso, o governo português acaba de lançar o programa Portugal Startup +, um pacote com 19 medidas de incentivo fiscal na remuneração e para facilitar vistos a funcionários de empresas de tecnologia sediadas no país. O programa também busca capital internacional e, no total, serão 300 milhões de euros de investimento para alavancar o crescimento do setor.

Além de novas vagas de emprego para diversas áreas, como engenharia, tecnologia, administração, marketing e publicidade – somente o Google prevê abrir 500 postos de trabalho –, o incentivo ao empreendedorismo tem atraído profissionais de vários países. Por isso, Portugal tem sido a escolha de muitos brasileiros que estão deixando o país. Levantamento realizado pelo Instituto Paraná Pesquisas em dezembro revelou que 49% dos brasileiros afirmam que deixariam o país se pudessem. A vontade é ainda maior entre os mais jovens e escolarizados (no Sudeste, o índice alcança 52,4%), que listaram a qualidade de vida, a segurança pública e o futuro dos filhos entre os motivos da mudança.

Uma das grandes preocupações deste público é garantir a estabilidade financeira desde os primeiros meses após a mudança. Para isso, uma das opções em Portugal é o investimento no mercado imobiliário, que está se valorizando entre 10% e 15% ao ano, e ainda pode gerar renda extra através da locação de curta temporada. Para quem vai morar e também precisa ter um ativo rentável, a recomendação de especialistas é dividir o capital e comprar dois imóveis financiados.

“Como o financiamento de imóveis em Portugal exige entrada de apenas 30% do valor do bem e tem taxas ao redor de 1,5% ao ano, torna-se extremamente atraente comprar apartamentos financiados. Quando o cliente quer comprar um imóvel para morar com a família, indicamos adquirir dois apartamentos – um com o perfil de preferência para morar e outro mais compacto, nos moldes mais demandados por turistas. Assim, a renda da locação de curta temporada pode até cobrir as parcelas do financiamento – em alguns casos, o cliente ainda obtém renda extra. Se incluirmos na conta a valorização do mercado imobiliário, que deve manter o ritmo de 10% a 15% ao ano até 2023, o patrimônio ainda vai se multiplicar em alguns anos”, explica César Damião, sócio-fundador da consultoria Global Trust, especializada em investimento imobiliário internacional.

Em uma amostragem dos últimos 100 clientes da Global Trust, o valor médio dos apartamentos comprados foi de 550 mil euros, sendo que alguns clientes chegam a investir mais de 2 milhões de euros. Por outro lado, os imóveis com perfil adequado para o aluguel de curta temporada têm custo médio entre 200 mil e 400 mil euros. “Os apartamentos mais procurados por turistas são do tipo estúdio (T0), quarto e sala (T1) ou dois quartos (T2) e têm excelente localização, o que garante uma boa liquidez do bem. Com os mais de 6 milhões de turistas que Lisboa recebe por ano, as taxas médias de ocupação ao longo do ano nas áreas nobres ficam ao redor de 85%, com picos no verão”, completa César Damião.

 

Fonte: Exame