“Queremos viver o nosso futuro, o futuro é o nosso propósito cimeiro”, sublinhou o Presidente da República nas cerimónias de Portalegre.

 

O Presidente da República fez na manhã desta segunda-feira no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades um discurso de optimismo. “Somos muito mais que fragilidades ou erros”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, em Portalegre.

“Não podemos nem devemos omitir os nossos fracassos ou erros”, admitiu o Presidente para, depois, sentenciar: “Somos muito mais que fragilidades ou erros.” Contudo, não deixou de referir que não podem ser omitidos novos ou velhos fracassos colectivos, nem minimizadas corrupções, falências da justiça ou indignações.

Marcelo lembrou portugueses em altos cargos, de António Guterres a António Vitorino, passando por Mário Centeno, do secretário-geral das Nações Unidas à Organização Internacional para as Migrações passando pelo Eurogrupo, mas revelou que outras notoriedades existem. E, para além, de uma equipa desportiva, implícita referência à selecção portuguesa de futebol, falou de cientistas e de outros notáveis.

“Somos uma só Pátria na diversidade dos “portugais” que temos cá dentro e que as nossas comunidades constituem lá fora”, que “todos os dias constroem “portugais” longe da nossa vista mas perto dos nossos corações”, precisou. “Uma só Pátria na riqueza dos “portugais” que as nossas comunidades criam”, insistiu.

“Somos cada vez mais uma comunidade de pertença, de inclusão, uma plataforma entre culturas, oceanos e continentes”, referiu Marcelo, assinalando que este ano, pela primeira vez, estão presentes nas comemorações do 10 de Junho Forças Armadas de outro país, Cabo Verde.

Justificando a escolha de Portalegre para albergar as comemorações do 10 de Junho de 2019, o Presidente fez um apelo: “Acordai mais cedo e mais fundo para os “portugais” esquecidos”.

“Um 10 de Junho em Portalegre não acaba a 10 de Junho (…) tem de ser um compromisso de futuro”, destacou. Referiu-se aos portalegrenses como “portuguesas e portuguesas que resistem à distância política”, e saudou o presidente das comemorações, o jornalista e colunista do PÚBLICO, João Miguel Tavares, como iconoclasta.

“Faltam menos de três décadas para fazermos 900 anos, resistimos à perda da independência, às crises, aos erros e fragilidades, e não só sobrevivemos, como queremos viver o nosso futuro, o futuro é o nosso propósito cimeiro”, sublinhou.

Tal propósito, concluiu o Presidente da República, “obriga a antecipar mudanças e a reforçar o orgulho de sermos portugueses, que esse futuro seja mais justo, mais solidário, mais humano que o passado que honramos e o presente que construímos.”

Na sua intervenção, João Miguel Tavares interrogou-se sobre o presente dos portugueses, que lutaram pela liberdade em 1974, pela democracia em 1975, pela integração na Comunidade Europeia nos anos 80, pela entrada na moeda única no final da década de 90. “Não é fácil saber porque é que estamos a lutar hoje em dia”, questionou.

“Traçámos planos grandiosos que nunca se cumpriram, afundámo-nos em dívida”, descreveu. “Descobrimos um país amnésico (…), percebemos que a corrupção é um problema real, grave, disseminado, que a Justiça é lenta a responder-lhe e que a classe política não se tem empenhado o suficiente a enfrentá-la”, diagnosticou.

“A falta de esperança e a desigualdade de oportunidades podem dar origem a uma geração de adultos desencantados, incapazes de acreditar num país meritocrático”, advertiu. Referiu a existência de “nós”, os cidadãos, e “eles”, a classe política atlanticamente afastados. “Aquilo que se pede aos políticos é que nos dêem alguma coisa em que acreditar”, concluiu.

 

Fonte: Público