No próximo 18 de abril, os 2.669,6 km que separam o Rio de Buenos Aires vão estar mais curtos: é a comemoração do Malbec World Day (oficialmente no dia 17 de abril) e o Consulado Geral da Argentina junto com a Wines of Argentina convidam para uma degustação dessa uva emblemática “de los Hermanos” e uma das preferidas dos brasileiros.

Um gole de história

A uva Malbec é originária do sudoeste da França, região de Cahors, próximo a Bordeaux, onde é conhecida pelo nome Côt. Quando a praga filoxera devastou as suas parreiras europeias no fim do século XIX, ela foi trazida para a Argentina pelo empenho do visionário Domingo Faustino, que contratou (1853) o enólogo francês Michel Aimé Pouget para oferecer-lhes uma novo endereço: Mendoza, no sopé da Cordilheira dos Andes.

Aliás, essa imigração só foi bem sucedida pelo decisivo empenho do então presidente Sarmiento (1868-1874, intelectual, escritor e gourmet – além de “a cara” do nosso embaixador Marcos Azambuja — que facilitou toda a operação.


Mas ela chegou à serra argentina (Luján de Cuyo, Valle de Uco) e foi sendo misturada com outras cepas, ainda em fase de adaptação. Só em 1996, quando o legendário Nicolas Catena resolveu produzir os primeiros vinhos 100% Malbec é que o experimento surpreendeu. A safra de estreia, o “Adrianna Malbec 2004”, conquistou a nota 98 do crítico Robert Parker. Recentemente, esse mesmo vinho, safra 2012, foi eleito o melhor Malbec da Argentina pelo guia Descorchados 2015, tendo recebido a nota 97, a mais alta nota dada a um vinho argentino nesse ano.

Foi a consagração do Malbec. A coloração desse vinho é intensa. Um vermelho denso, caminhando para o violeta. E o aroma, embora varie de acordo com o terroir, remete à frutas vermelhas, ameixas maduras e, às vezes, a tabaco, chocolate e até anis.
E por conter acidez equilibrada e taninos chamados de redondos, o Malbec é um vinho gastronômico; isto é, “feito” para acompanhar comida.  Combina bem com a carne bovina e de cordeiro; caça; vai bem também com matambre, com todos os embutidos e até com queijos fortes.

Sin olvidar las empanadas, che!   

          

O vinho pode ser elaborado varietalmente com 100% Malbec ou com cortes de outras tintas, sobretudo a Cabernet Sauvignon.  E a tenacidade dos vitivinicultores, mais o apoio do governo, somados à grande luminosidade solar, à alta altitude e à amplitude térmica de Mendoza, transformaram o Malbec – junto com o tango – em embaixadores da Argentina no exterior. E deveriam constar da folha de pagamento da “Cancillería”…

Salud!

Por Reinaldo Paes Barreto