As reuniões sobre a evolução da covid-19 em Portugal, que juntam políticos, especialistas e parceiros sociais, vão ser retomadas na quinta-feira, pelas 10h00, no Infarmed, em Lisboa, disse hoje à agência Lusa fonte do Governo.

Informação foi avançada, esta quarta-feira, pelo Jornal Económico e, posteriormente, confirmada à agência Lusa por fonte do Governo. Especialistas, políticos e parceiros sociais vão voltar a reunir-se amanhã, dia 19, no Infarmed, em Lisboa.

A última destas reuniões realizou-se na Faculdade de Medicina da Universidade Porto, no dia 7 de setembro, após terem estado interrompidas cerca de dois meses.

Fonte do Governo adiantou à agência Lusa que, na reunião desta quinta-feira sobre a situação epidemiológica em Portugal, estarão em análise assuntos como a eventual prorrogação do Estado de Emergência, um balanço das medidas tomadas até agora e a tendência da evolução da Covid-19 no país.

convocatória terá chegado hoje aos partidos com assento parlamentar, revela o Jornal Económico citando fonte parlamentar que justifica que o país atravessa uma “fase de agravamento da pandemia”, motivo pelo qual se impõe a interpretação técnica dos dados da DGS, pedida pelos partidos para se poderem pronunciar sobre novas medidas que o Governo venha a propor numa eventual renovação do Estado de Emergência, bem como “deixar cair algumas que estão em execução”.

Saliente-se que este regresso surge numa semana em que o Presidente da República está a ouvir os partidos no Palácio de Belém sobre o OE2021 mas também sobre uma eventual renovação por mais 15 dias do Estado de Emergência que, recorde-se, termina às 23h59 do próximo dia 23 de novembro.

Entre as novas medidas que podem estar em cima da mesa está a divisão do país em três escalões de concelhos. Esta hipótese foi revelada ontem, à saída de Belém, pelo dirigente do PEV, José Luís Ferreira, que explicou que a ideia será haver “um escalão mínimo para aqueles concelhos que estão entre os 240 e os 480 casos diários [por 100 mil habitantes], (…) o que significa que as restrições aí vão ser mais leves”. Depois “um escalão intermédio que envolve os concelhos entre os 480 casos e os 960; e um escalão máximo, onde as restrições vão ser mais intensas, nos casos onde os concelhos verificam um número superior a 960″.

Ainda segundo o deputado do PEV, só nos concelhos deste último escalão “é que haveria os limites que agora estão a existir ao nível dos fins de semana”.

Reuniões arrancaram no final de março mas pararam no verão

As reuniões no Infarmed, que surgiram por iniciativa do primeiro-ministro, com um objetivo de partilha de informação, arrancaram no dia 24 de março e decorreram até 8 de julho, em dez sessões no auditório do Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos da Saúde, em Lisboa, inicialmente semanais e depois de periodicidade quinzenal.

Depois de cerca de dois meses sem nenhuma reunião, a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, anunciou no dia 27 de agosto que as sessões com peritos e políticos iriam ser retomadas, com uma novidade: “Terão uma parte, a parte expositiva, que será de transmissão aberta e essa é a principal diferença que as reuniões terão face ao passado”. Fonte do Executivo referiu que, neste momento, ainda não está decidido se na de amanhã vai repetir-se este formato em que a parte expositiva dos peritos tem transmissão aberta.

No final da décima reunião sobre a Covid-19 no Infarmed, em Lisboa, no dia 8 de julho o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, declarou perante a comunicação social: “Terminamos hoje uma experiência de vários meses, iniciada no final de março em pleno estado de emergência”.

Marcelo Rebelo de Sousa sustentou que “o modelo pensado” para março, quando Portugal adotou as primeiras medidas de combate à Covid-19, “precisava de ser descontinuado, fechando um ciclo e naturalmente ponderando, em tempo oportuno, a abertura de outro ciclo”.

Neste mesmo dia, o primeiro-ministro negou o fim destas reuniões, contrapondo que apenas não tinha ficado definida uma data para a próxima sessão e deixou a promessa: “Sempre que se justificar haverá novas reuniões“, disse.

O formato das dez sessões realizadas no Infarmed, em Lisboa, consistiu numa primeira parte com apresentações técnicas e uma segunda fase de perguntas dos políticos e dirigentes patronais e sindicais. Nestas reuniões participaram também, por videoconferência, os conselheiros de Estado.

No final das sessões, tornou-se habitual o chefe de Estado fazer uma síntese das conclusões aos jornalistas, tendo ao seu lado o primeiro-ministro e o presidente da Assembleia da República – o que já não sucedeu na reunião de 7 de setembro no Porto -, antes de os representantes dos nove partidos com assento parlamentar prestarem declarações.

Fonte: Notícias ao Minuto