Pesquisa feita pela KPMG nos Estados Unidos indica aumento nos gastos relacionados à educação e indícios de uma nova realidade a partir do segundo semestre deste ano, que marca o retorno às aulas presenciais. Segundo o levantamento “Novo começo – De volta às aulas”, as famílias estão dispostas a frequentar mais as lojas físicas, mesmo que continuem fazendo compras on-line, e a gastar mais do que em 2020 com a aquisição de materiais tradicionais, principalmente, roupas, calçados e artigos de papelaria.

Embora tenha sido realizado com consumidores norte-americanos, o estudo aponta mudanças que tendem a se replicar em diversas partes do mundo. O relatório aponta que, após um ano e meio de atividades escolares suspensas, as prioridades de consumo são diferentes daquelas que prevaleceram no começo da pandemia de covid-19, quando tablets e notebooks, assim como equipamentos para o acompanhamento adequado das aulas virtuais, ganharam destaque sem precedentes.

De acordo com a análise da KPMG, que ouviu mil famílias para compreender o impacto desta nova realidade, o gasto médio por criança subiu 21 dólares no último ano — US$ 268 por aluno em comparação aos US$ 247 registrados em 2020. Outra tendência apontada pelo documento é a ampliação gradual nas despesas escolares: a cada ano, os custos com pré-escola devem aumentar 32%, enquanto os com faculdade deverão subir 13%. Os menores acréscimos foram verificados no ensino fundamental, com alta de 3%, e no ensino médio, com 4%.

“Ainda que os sinais apontem que o aprendizado digital veio para ficar, o amplo retorno às salas de aula está impulsionando o aumento dos gastos nas principais categorias do varejo, lideradas por calçados, vestuário e suprimentos. São indicativos importantes neste ano de transição e fatores que impulsionam o crescimento”, resume o sócio-líder de consumo e varejo da KPMG no Brasil e na América do Sul, Fernando Gambôa.

Os pais ouvidos na pesquisa indicaram que, provavelmente, gastarão mais com material escolar do que no ano passado – um aumento de 9%. Entre os entrevistados que planejam gastar mais por filho, 39% acreditam que os produtos custarão mais a partir deste ano. Para aqueles que esperam reduzir despesas por aluno, 32% afirmam que precisam de menos itens. Apesar disso, 26% dos que planejam gastar menos por filho diz acreditar que os negócios serão melhores este ano do que foram em 2020.

A pesquisa destaca ainda que as compras on-line de materiais escolares devem aumentar 30% em relação aos níveis pré-pandemia. “Esta tendência deve continuar, impulsionada pelo fato de que os consumidores devem seguir efetivando compras no ambiente digital, mantendo a participação de mercado do comércio eletrônico”, analisa o sócio-líder do segmento de varejo da KPMG no Brasil, Paulo Ferezin.